Duas estrelas que viviam em par podem ter virado supernovas em caso inédito; veja IMAGEM

  • 21/07/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem mostra a região onde estão IC 443 e G189.6+3.3, os dois restos de supernova que podem ter surgido de estrelas que viviam em par. NASA Goddard e M. Michailidis et al. (2026). Duas estrelas que viveram juntas podem ter terminado suas vidas de uma forma nunca observada antes: ambas explodindo como supernovas. É isso o que sugere um novo estudo publicado nesta terça-feira (21) na revista científica "Nature Communications", que encontrou indícios de que os restos dessas duas explosões pertencem a estrelas que faziam parte do mesmo sistema. ➡️ ENTENDA: Uma supernova é a explosão gigantesca de uma estrela muito maior que o Sol no fim de sua vida. Quando o combustível acaba, a estrela perde o equilíbrio que a sustentava e desaba sobre si mesma. Esse colapso provoca uma explosão tão brilhante que pode superar, por um período, a luz de uma galáxia inteira. 💥 Nesse caso, os pesquisadores analisaram a região onde estão IC 443, conhecida como Nebulosa da Água-viva, e G189.6+3.3, a cerca de 6 mil anos-luz da Terra (veja ACIMA a região estudada e os vestígios dessas explosões). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A dúvida era se as duas estruturas apenas apareciam próximas no céu ou se tinham, de fato, uma ligação. Para investigar isso, a equipe reuniu 16 anos de observações do telescópio espacial Fermi (um observatório espacial da NASA lançado em 2008) e cruzou os dados com imagens feitas em outros tipos de luz. O resultado indica que os dois restos estão na mesma região do espaço e a uma distância semelhante da Terra. “Foi um momento realmente empolgante. No início, estávamos apenas tentando entender a natureza de uma estrutura muito tênue que permanecia escondida ao lado da muito mais brilhante IC 443”, explica ao g1 Miltiadis Michailidis, pesquisador da Universidade Stanford e autor do estudo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Esse é um ponto importante porque reforça a ideia de que as duas estrelas podem ter nascido juntas e formado um sistema binário, como os astrônomos chamam os pares de estrelas ligados pela gravidade. As estimativas também indicam que elas não explodiram ao mesmo tempo. A estrela que deu origem a G189.6+3.3 teria explodido entre 20 mil e 100 mil anos antes daquela que formou IC 443. Isso não seria estranho para um par de estrelas. Mesmo nascendo juntas, duas estrelas podem evoluir em ritmos diferentes. Uma pode chegar ao fim da vida primeiro, enquanto a outra continua existindo por milhares de anos antes de também explodir. Mas para verificar se esse cenário era possível, os pesquisadores fizeram simulações de um milhão de sistemas formados por duas estrelas. “À medida que as evidências se acumularam, começamos a perceber que o remanescente recém-identificado não era apenas mais um objeto isolado, mas poderia estar fisicamente relacionado a IC 443”, acrescenta o pesquisador. Os resultados mostraram que pares assim podem, sim, produzir duas supernovas separadas por dezenas de milhares de anos e deixar restos próximos entre si. Imagem destaca um filamento observado em luz ultravioleta e visível que ajuda a delimitar G189.6+3.3 e reforça que ela é um resto de supernova separado de IC 443. NASA Goddard e M. Michailidis et al. (2026). LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Mesmo assim, os cientistas ainda tratam o sistema como um candidato. As evidências são fortes, mas novas observações serão necessárias para confirmar de forma definitiva se IC 443 e G189.6+3.3 realmente vieram de duas estrelas que viveram juntas. O estudo também ajudou a revelar melhor G189.6+3.3, que durante muito tempo ficou menos evidente por estar na mesma área de IC 443, muito mais brilhante. “Descobertas como esta são especialmente gratificantes porque muitas vezes não surgem de uma única observação espetacular, mas da conexão de várias evidências independentes que, gradualmente, revelam um quadro muito maior”, comenta Michailidis. Os novos dados mostram que ela é uma estrutura própria e que interage com o material ao redor. Caso ligação seja realmente verificada, a descoberta pode abrir uma nova janela para entender como estrelas grandes evoluem quando vivem em pares. Para os astrônomos, o sistema funcionaria como um registro de duas mortes estelares ligadas pela mesma história, ocorridas em momentos diferentes. “Se confirmado, esse sistema ofereceria um laboratório natural extremamente valioso para estudar todo o ciclo de vida de um sistema binário de estrelas massivas. A maioria dos remanescentes de supernova preserva apenas as consequências da explosão de uma única estrela. Aqui, porém, podemos estar observando o resultado final dos dois integrantes de um mesmo sistema binário.” Imagem em raios gama destaca a região de IC 443, uma das fontes mais brilhantes desse tipo de radiação no céu. NASA/DOE/Fermi LAT Collaboration. Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'

FONTE: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/07/21/estrelas-que-viviam-em-par-supernovas.ghtml


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